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SOBRE O HOMEM: ROUSSEAU ou HOBBES?

SOBRE O HOMEM: ROUSSEAU ou HOBBES?

Acabo de ver um documentário sobre o holocausto, que me merece esta reflexao sobre o Homem: Há quem coloque com questao metafísica essencial, esta: quem é o Homem? mas, para mim, a questao fundamental é mais precisamente esta: porque nasce o Homem? Um ser inteligente "dependente" e, por isso, destituído de uma natureza de divindade primária, que, para o ser, só pode ser autosuficente, enquanto que ele só vive com energia que rouba à restante natureza, alheia, conquistada comendo o ambiente envolvente e fazendo em geral da acumulaçao das coisas alheias a si mesmo, da natureza, ou do prazer da tecno-emotividade ligada ao fenómeno da sua própria reproduçao, a fonte normal da sua felicidade. Porque existe? Para quê existe? Donde vem e para onde vai? Contrariamente às teses em confronto sobre o modo natural de ser do Homem vivendo em hipotético "estado natural", o que nao existe, sabemos que o homem nem é bom nem é mau. Pois o Homem define-se tanto em termos roausseaunianos como hobbesianos, na generosidade de uma Teresa de Calcutá ou na entrega renunciante de um Woitila e na vingatividade primária e irracional de quem odeia. Um Homem nao será tudo isso. Mas o Homem é feito de tudo isso, capaz de construir um mundo diferente, de bem, e de destruir a natureza, que o fez, por mais bela que seja. Que fosse pelo céu! mas geralmente é mesmo por um punhado de nadas. Na sua racionalidade ou emotividade contraditórias, feitas do seu instinto essencial, permite-se tudo o que traduz a defesa da sua subsistência e preservaçao, mas também a auto-destruiçao. Contrariando-o visceralmente o facto de morrer, e portanto da morte, nem por isso deixa de matar e mesmo de se suicidar. Que o diga a história do século XX, desde logo hiperbolicamente, desde 1914 a 1946. É capaz de morrer para salvar a Humanidade mas também do Holocausto da Humanidade, sem se importar que os outros morram, mesmo sem com isso pretender salvar-se. Vive para morrer, mas vive como se fosse eterno. Como se o seu fim existencial fosse um incessante acumular de riquezas sem olhar como nem à custa de quem. No fim, morre e deixa tudo. Age cobardemente camuflando-se com objectivos ultraelaborados, a que dá o nome de ideologias, para explicar, sem receios nem censuras éticas, porque se move no sentido das suas ambiçoes. Diviniza um Ser invisível e distante, lá no céu, que nao possa perturbar o cultivo na terra da divindade da apropriaçao, e nao da doaçao, das coisas terrenas, que no fundo sao as únicas em que acredita. Tanto deixa de "viver" na terra para ir para o céu, como esquece o céu para conquistar a terra. Esquecei Rousseau, Hobbes e outros tantos que tanto hao magicado sobre o homem querendo encontrar-lhe uma só natureza. O Homem é meio deus, meio animal, meio diabo, meio santo. Nunca se sabe o que realmente é o Homem. O mundo, os animais, as plantas e os outros homens que se cuidem. Se o Homem nao é naturalmente nem bom nem mau, o Homem tanto é Rousseau como Hobbes. O que significa que há, por aí, sempre um Homem à solta. Se o drama de alguns é nunca terem sido senao hobbes, o milagres de poucos é também o terem sido apenas e sempre teresas de calcutá.